quarta-feira, 5 de novembro de 2008

J U A N

Juan crê que a torcida é menos tolerante com ele. A dialética socrática da torcida é cantar, xingar, aplaudir, vaiar. Torcida reage ao que vê ou intui. Não julga. Lembro de um jogo do Flamengo do Zico contra o Coritiba no Maraca. O Flamengo tinha um time muito bom. Time que tem Zico é sempre muito bom. Mas jogava mal. Precisava da vitória e perdia de 1x0. Jogo se aproximando do fim. Uma tabela de Zico e Adílio, gol do Galinho. Não bastava. Jogo acabando, Zico na intermediária, retranca paranaense. Não havia espaço. Zico pega a bola, o time inteiro do Coritiba na sua frente. Dribla um, dribla outro e mais o terceiro. Não tinha espaço. O craque inventa. De repente, Zico surge na cara do goleiro. Bola no canto, no fundo da rede. Um gol de antologia. A galera explode - havia vaiado antes, pedido raça, e explode numa alegria extraordinária! Viro pro meu pai e digo: O maior do mundo! Meu pai me abraça e diz a frase definitiva: Fez o que nós esperamos dele. Perfeito. Não se esperava isto do Júnior, que era craque; não se esperava isto do Leandro, que era craque; ou do Adílio, ou Andrade, também craques. Esperava-se do Zico. Ao maior cabe a maior responsabilidade. Feitas as diferenças de medida, Juan é hoje no Flamengo, de longe, o jogador mais decisivo. É do Juan que esperamos as jogadas capazes de decidir o jogo. Foi o Juan quem fez a mais impressionante partida deste campeonato brasileiro, uma atuação individual extraordinária contra o Goiás no Serra Dourada. No entanto o time perdeu. O time saiu aplaudido e Juan ovacionado. O resultado ficou num plano imediatamente inferior. Soubemos reconhecer a partida de almanaque do Juan, daquelas que ficarão marcadas na memória. Flamengo não é para fracos, nem para poucos. Somos muitos e Juan é um dos nossos.

6 comentários:

André Monnerat disse...

O raciocínio faz sentido.

Agora...
Eu estava no Maracanã no sábado. E a questão é que o Juan passeou em campo. Sem posição nem obrigação nenhuma.

E a torcida só começou a vaiar, não só ele quanto o time, lá pro meio do segundo tempo (tirando o intervalo). Foi até benevolente além do normal.

Eu acho que a torcida às vezes ajuda, às vezes atrapalha. Mas o Juan e o Caio Júnior reclamaram sem razão depois desse jogo.

urubu nervoso disse...

O Juan não vem jogando nada há pelo menos 3 jogos. Passeia em campo, geralmente pelo meio de campo, com algumas poucas descidas pela lateral. Neguinho tem de entender q torcida NÃO gosta de vaiar. A vaia é a tentativa, muitas vezes inúteis, de acordar o pangaré. Eu também estava no Maraca sábado. Vaiei um pouco, xinguei muito. Toda vez q vaiava alguém, pensava no Caio. Toda vez q xingava alguém pensava no Caio. Fora Caio! Ainda dá tempo de pegar a Libertadores! Com ele vai ser impossível.

Mengão Guerreiro disse...

Na verdade às vezes acho q a torcida pega mesmo no pé do Juan. Concordo com as palavras dele q os erros dele são menos tolerados. Mas concordo com vc q a torcida espera muito dele.Durante muito tempo ele levou o time nas costas, jogando quase que sozinho, criando, finalizando, sofrendo penalti, etc. Ele tem q entender q a torcida acredita nele e torcemos para q ele reencontre seu bom futebol. Que as vaias sirvam de motivação para ele.

william disse...

Juan é um dos mais prováveis candidatos a craque do Brasileiro. E não está jogando bem mesmo. Tem q dar a volta por cima e sacudir a poeira. Vamos lá, Juan! Contamos com vc!

Anônimo disse...

Juan é idolo, joga bem sim mais jogo é jogo, as vezes jogamos bem as vezes, não PACIÊNCIA nação rubro negra.

Alexsia disse...

(...)"Juan joga muiito beem, e gosto muito do trabalho dele."